quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"Melhor sermos escravos conscientes do que escravos felizes"

Terça eu escutei essa frase de Marcuse e fiquei pensando (muito) sobre tudo o que ela significa, entretanto, não sei exatamente o que falar sobre ela.
Talvez a consciência exatamente de se saber que não podemos ser felizes me dê esse sentimento de... realidade, talvez... talvez!
O estranho da consciência é a pressão que sinto para não tê-la, o pensamento de "ai, deixa eu me alienar um pouquinho"... e então eu deleto o orkut, mas faço facebook e twitter e blog...
O estranho seria não ter isso, não é?
E o estranho da felicidade é o eterno sentimento de que um dia as coisas vão melhorar, vão ser boas, ou no passado eram muito melhores! E sei que isso todos sentem, caso contrário, não haveria tantas pessoas nesses meios virtuais querendo convencer a todos de como suas vidas são boas, engraçadas, invejáveis, cheia de amigos. Apesar de passar mais tempo no computador do que com pessoas de fato, ainda sentem que são de fato completas e que importa muito dizer a todos os poucos momentos sociais que têm.
Agora acho que busco outros momentos, uma contra-cultura que de fato me traga satisfação...
Estudando antropologia na pós, estudei de fato como doenças como depressão, stress, ansiedade, são apenas consequências de nossa relação com o tempo. Não estou dizendo que não existem... como existem! Mas existem na configuração da nossa sociedade (eu incluiria "capitalista" se não me criticarem demais).

E não sou a Senhora Adorno, cheia de consciência das contradições, e nem quero justificar as atitudes que tenho, mesmo já tendo consciência... mas é como mais ou menos disse Debord "se não posso ser feliz nessa sociedade, estou fadado a usufrir dos seus vis prazeres"...

E como hoje estou cheia de frases de efeito, finalizo
"Um povo que concebe a vida exclusivamente como busca da felicidade só pode ser cronicamente infeliz" Foucault (não me condenem!)

E, é claro, ainda prefiro ser consciente... não levem a mal minhas reflexões bastante fundamentadas, mas pouco coerentes. 


foto: Cafe Scene, 1941, Salvador Dalí.

3 comentários:

  1. "A felicidade é como a pluma
    Que o vento vai levando pelo ar
    Voa tão leve
    Mas tem a vida breve
    Precisa que haja vento sem parar..."

    Isso já tem sido cantado há tempos e a gente não aprende! Parece que só é possível ver beleza nos ideais de felicidade, nos finais felizes das novelas, nos projetos de vida que incluem muito trabalho, e esse monte de bobagens... e aí vem um poeta que canta a certeza da desilusão, ou felicidade como um estado passageiro, e isso me faz pensar que ser feliz o tempo todo, além de concretamente impossível, é coisa de gente estúpida mesmo.

    Gostei do texto Sra. Adorno! rs ( brincadeira)

    UM beijo

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  2. Quando o papo é o humano(a) o buraco nunca é tão em cima, mas também nunca é tão embaixo.

    Como diria Clarice Lispector "Ser feliz para conseguir o quê?" A felicidade se tornou um direito e, foi Tocqueville (séc 19) quem temia que a mania de felicidade transformaria o homem num ser patético, eternamente infantilizado.

    Uma observação. Antes que o "felizistas" venham com o papo de que é legal ser criança, já digo que há uma diferença entre você manter um certo espanto para com o fenomeno-vida, e ser aquele tipo de criança pentelha e chata que só chora porque nunca consegue o que toda criança quer. A primeira têm a criança na alma, uma tatuagem antológica, a segunda é uma retardada mental.

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  3. Karen,

    Sugestão:
    "A sociedade de consumo" Jean Baudrillard

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