quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Há perigo de contato, ou melhor, de contaminação!

Devemos tomar cuidado com a água que ingerimos diariamente, com as comidas que nos alimentam, ou nos envenenam, com o lugar onde colocamos nossa mão, cuidado para não levarmos essas mãos que estiveram em contato com alguma coisa aos olhos, à boca, ao nariz, ao sexo, devemos sempre lavar as mãos, mas não podemos esquecer que a água também pode estar contaminada! Além desta, o ar também pode nos contaminar, a terra pode nos contaminar, o fogo, a fumaça tóxica dele, também nos contamina rapidamente. Devemos sair de casa preparados para os perigos do mundo!

Isso porque nem falei das pessoas ainda! Essas são mais perigosas que os 4 elementos contaminados da natureza selvagem e hostil! As pessoas nos atravessam, nos olham, e não conseguimos evitar que façam isso, as pessoas sentem e isso me afeta, eu sinto e sei que também afeto ao outro, todos que me cercam de algum modo me afetam e eu os afeto também, me contaminam com suas loucuras, com suas neuroses leves ou algozes, com seus medos inocentes, infantis, ou com seus espíritos inconseqüentes! A música, o cinema, o teatro, as artes plásticas , tudo isso é muito perigoso para o homem, a literatura é um pouco menos, mas alguns autores devem ser evitados, ou só lidos com prescrição médica. Essas artes devem ser evitadas porque elas expõem o homem a si mesmo, o pior veneno que existe é o nosso, é aquele que não tem antídoto, aquele que nos põe nu em toda nossa potencialidade de contágio! A música associada ao cinema deve ser totalmente abolida do repertório das atividades humanas, nunca assistam filmes como “Assédio” do Bertollucci , ou “Melodia infiel” do Resnais, pois vocês perceberão que a contaminação pelo outro é musical, é invisível e enfeitiçadora! Essa arte sensual cria laços invisíveis entre as pessoas, é como aquela criança que durante um jantar amarra os cordões do sapato do visitante por baixo da mesa, é assim que a traiçoeira arte age conosco! Quando tentamos levantar, caímos!

Sim, estou um pouco maluco por esses dias, trabalho num bar que fica repleto de gente, convivo com 4 crianças, 1 pai, 1 mãe e 1 irmã, mais a faculdade, mais os estágios e todas as pessoas envolvidas nisso. O cenários são conhecidos demais, isso me apavora, porque parece que não vai ser pra sempre assim, na verdade eu não quero que seja, mas a espera pelo momento rompante é pior, muito pior do que as possíveis conseqüências deste momento.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Estive pensando bastante sobre o tema do meu trabalho final da pós.
Ainda não tem um "nome", mas o tema é sobre o amor racional.
Muito provavelmente terá incontáveis sub intens... porque eu não sei que caminho seguir.

Quando nos "apaixonamos" por alguém... essa pessoa tem uma beleza que faz parte dos seus padrões, sejam eles como os que aparecem na tv ou não, então não há algo de tão livre na paixão. Entendo por paixão o sentimento que precede o amor, mas também não sei se é regra.
E então começamos a conversar, a conhecer melhor... e certamente se a pessoa não tem os mesmo gostos que você, o mesmo senso de humor, o mesmo nível intelectual, não raro o mesmo nível financeiro, as mesmas ambições, a mesma educação, os mesmo hobbies e "algo a mais" que torna essa pessoa especial então simplesmente não combinam e então não há como isso "virar" amor... Se for muito discrepante para mais ou para menos, está quase que fadado ao fracasso.
Mas no caso de se pensar que essa pessoa tem tudo isso que é "necessário" para "gerar" o amor, então você se apodera da pessoa... a manifestação mais clara seria o ciúmes. Alguns dizem que ciúmes está diretamente relacionado ao amor... e também comessam as cobranças, como se fosse um trabalho: desempenho, atenção, disponibilidade, enfim... me parece que a medida que você se dedica ao máximo, se dá ao direito de fazer o mesmo com o outro.
Minha conclusão, por hora, é de que tudo isso só corresponde ao narcisismo de cada um... ama-se quem é igual a você, mas com um "algo a mais" para se encantar. Acho que até aqui, nenhuma novidade, incluse aos psicanalistas...
A questão que me faz pensar é que todos os sentimentos costumam ser incontroláveis, algo que simplesmente aparece e não há como racionalmente mandar ir embora... não sei se é algo da atualidade, da nossa ideologia, ou se estou sendo muito romântica, mas nos poemas que leio, vê-se algo mais próximo desses sentimentos naturais e incontroláveis... algo que até deixa triste, às vezes... que aparece sem querer e é eterno, mesmo que não seja concreto.
Mas, será que há como dizer que esse amor racional não é legítimo?
Assumo que passei por boa parte do que citei ao encontrar a pessoa que amo: ele é igual a mim, mas tem muitas outras qualidades (que eu julgo qualidade), é bonito, inteligente, divertido... ele pensa o mesmo que eu e só nos deixamos nos amar porque passamos por esse processo de conhecimento mútuo. Do mesmo jeito os poemas fazem todo sentido do mundo para mim... atualmente há essa coisa irracional. É verdadeiro.
E agora penso qual é o meu problema de pesquisa, afinal!