Ao pensar em um espaço para colocar algumas opiniões, pensei primeiramente na relevância das coisas que poderíamos expressar. É estranho essa ideia de sempre fazer coisas “úteis”, porque é algo que somos questionados o tempo todo em tudo que fazemos e perdemos a oportunidade de simplesmente fazermos o que queremos fazer. Afinal “cultura inútil” é a que nos é imposta.
Então comecei a refletir sobre o que eu gostaria de escrever. Normalmente sinto que o que eu falo é óbvio e até repetitivo, que todos devem compartilhar da mesma ideia, então por quê perder meu tempo falando o que todo mundo, no fundo, já sabe? Isso sem contar as pessoas que olham tudo por olhos sarcásticos e não se beneficiariam nem se compartilhassem de fato da mesma opinião que eu.
Enfim...
Acabo de ganhar um processo por danos morais de uma multinacional e fiquei pensando como as pessoas não se apropriam de seus direitos. Claro que não foi nenhum processo multi milhionário, mas a ideia de que o sistema é falho já dominou tão fundo o imaginário das pessoas que só o fato de ser burocrático (e nem é tanto) já as desanimam. Não nos preocupamos em apenas fazer nossas reinvindicações da forma correta e usamos diversas questões como subterfúgio. O que me parece é que apenas pensamos em resolver do jeito “mais rápido”, propagando maiores danos a outras pessoas. Reclamam, gritam, agridem, isso é evidente, reproduzem por vingança. Quantas vezes escutei que processos por danos morais são muito difíceis de serem provados procedentes (inclusive de advogados), mas não é o que vejo. E não penso que sou excessão a regra, mas simplesmente não tenho muitos casos para comparar.
Escuto que as leis estão muito além do que é possível na realidade, que são verdadeiras utopias, ora, deve-se adequar as leis ao que é real ou tentar adequar o real ao que realmente imaginamos como o ideal de uma sociedade?
Reinvindicar um direito assegura, inclusive, que isso não ocorra com a mesma facilidade novamente. Talvez a justiça ainda não seja tão acessível, mas buscá-la sempre que necessário é imprecindível para que tenhamos uma sociedade menos cruel.
Posso parecer romântica e bastante otimista ao pensar dessa maneira... e sou!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Com os primeiros sinais da luz do dia se levantou, fechou a cortina, preparou um café, abocanhou algumas bolachas e sentou-se na frente do Laptop, essa seqüência de gestos o acompanhava já há alguns anos diariamente, achava que as manhãs ensolaradas poderiam ser o último suspiro daquele texto inacabado, daquela idéia ainda gestante, depois de acender um cigarro passou alguns minutos observando a companheira nua, iluminada por indiscretos raios que ousavam atravessar as cortinas. Se lembrou dos movimentos noturnos, da dança insana, que teve como palco os cômodos do pequeno apartamento. A talentosa amiga de longas pernas oscilava entre o amor romântico de uma noite de núpcias e o iminente ímpeto de estrangular o companheiro entre as coxas quentes. “E como eram quentes”, pensou enquanto degustava o café que acabava de fazer, era um irresistível caminho de brasas que guardava no final uma rosa molhada de chuva, pronta a se abrir acolhedora ao supliciado. Começou. Como se o teclado fosse seu pênis vestia de palavras suas impressões matinais, pontuava as respirações mais intensas com exclamações, descrevia com excesso de vírgulas o processo do desnudamento, o percurso das bocas pelos labirintos do corpo, deixou-se conduzir ao estranho e infinito mundo das onomatopéias, por vezes sentia que a grande exclamação estava perto, então usava três pontos...e recomeçavam as mordidas, as vírgulas, as carícias, as interjeições, os imperativos, o rodamoinho dos seios, o caminho das brasas, a rosa. E no tecido do texto a cena se compunha, não exatamente como tinha ocorrido, mas com novas idéias que surgiam a cada vez que olhava a companheira deitada, nas diversas posições em que esteve durante esse tempo, nos diferentes modos que apreendeu os contornos daquele corpo amigo. Parou por um tempo de escrever, pensava em como terminar o texto, fixou-se distraidamente na panturrilha fugitiva do lençol, exposta aos raios que a essa hora já invadiam com toda força o quarto pelas frestas da cortina, a moça abriu um dos olhos com preguiça, viu o amante com uma mão no pau e outra na “pena”, amável, adivinhou e sorriu da bizarrice, estendeu a perna descoberta até o botão que ligava o som e ficou feliz com a canção que surgiu “Let's get lost, lost in each other's arms...” depois fechou os olhos enquanto a voz e o trompete de Chet Baker inundavam o quarto com mais força do que os indesejáveis raios solares.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
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