quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Bom dia Sol
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
"Melhor sermos escravos conscientes do que escravos felizes"
Talvez a consciência exatamente de se saber que não podemos ser felizes me dê esse sentimento de... realidade, talvez... talvez!
O estranho da consciência é a pressão que sinto para não tê-la, o pensamento de "ai, deixa eu me alienar um pouquinho"... e então eu deleto o orkut, mas faço facebook e twitter e blog...
O estranho seria não ter isso, não é?
E o estranho da felicidade é o eterno sentimento de que um dia as coisas vão melhorar, vão ser boas, ou no passado eram muito melhores! E sei que isso todos sentem, caso contrário, não haveria tantas pessoas nesses meios virtuais querendo convencer a todos de como suas vidas são boas, engraçadas, invejáveis, cheia de amigos. Apesar de passar mais tempo no computador do que com pessoas de fato, ainda sentem que são de fato completas e que importa muito dizer a todos os poucos momentos sociais que têm.
Agora acho que busco outros momentos, uma contra-cultura que de fato me traga satisfação...
Estudando antropologia na pós, estudei de fato como doenças como depressão, stress, ansiedade, são apenas consequências de nossa relação com o tempo. Não estou dizendo que não existem... como existem! Mas existem na configuração da nossa sociedade (eu incluiria "capitalista" se não me criticarem demais).
E não sou a Senhora Adorno, cheia de consciência das contradições, e nem quero justificar as atitudes que tenho, mesmo já tendo consciência... mas é como mais ou menos disse Debord "se não posso ser feliz nessa sociedade, estou fadado a usufrir dos seus vis prazeres"...
E como hoje estou cheia de frases de efeito, finalizo
"Um povo que concebe a vida exclusivamente como busca da felicidade só pode ser cronicamente infeliz" Foucault (não me condenem!)
E, é claro, ainda prefiro ser consciente... não levem a mal minhas reflexões bastante fundamentadas, mas pouco coerentes.
foto: Cafe Scene, 1941, Salvador Dalí.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Mais um texto sem título
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Escolhendo um candidato...
Hoje comecei a pensar mais seriamente em que votaria. Eu levo votação muito a sério ((sem ironias!)) e obviamente, o horário eleitoral só serve para rirmos de como a política é algo extremamente banalizado no Brasil ((como tudo que deveria ser sério nesse país)).
Como nunca tive afinidade por nenhum partido propriamente dito, comecei por elimatórias.
Os candidatos que eu for votar não podem ter se envolvido em escandalos de corrupções. Diferentemente da grande maioria, eu não voto nos "menos ruins" ou nos "rouba, mas faz".
Eu não voto em políticos que tiveram a ótima oportunidade de já serem eleitos e, quando foram, aprovaram leis absurdas, revoltantes, que de longe não representa o desejo da maioria! Os que votaram pelo Ato Médico, só por exemplo... tem muitas outras leis que me indignam.
É claro que eu não votaria em pessoas que tem promessas que são visivelmente impossíveis de se cumprir em 4 anos... é duvidar demais da minha inteligência. Ou pior que isso, como a querida candidata a presidência do PV que tem como proposta um site em que teria os dados de todos os pedófilos cadastrados para que soubéssemos onde moram, dessa forma, proteger nossas crianças... em outras palavras, pessoas que fazem suas campanhas em questões preconceituosas, contra os direitos humanos e anticonstitucionais!
Isso é o Brasil! Aqui tudo pode, não importam as leis que garantam nossos direitos!
Acho que o que mais me revolta é o que realmente acontece... talvez o tiririca ganhe, a mulher pêra, o maguila, a outra que tem o número 69... claro que eles têm o direito de se candidatar, como diz a lei, todos podem se envolver na política e o devem fazer, algo asssim... e não digo que eles não tem nada para contribuir, mas eles mesmos se banalizam!
E as pessoas votam! Votam porque não têm o menor interesse em se preocupar com o que vão decidir por eles. E depois reclamam que ninguém faz nada. É claro que não é o tipo de representação que eu gostaria de ter, não é nem o sistema que eu gostaria de viver, mas já que é, por hora, deveríamos, no mínimo nos preocupar com isso.
As pessoas, em sua maioria, não sabem nem a diferença entre votar branco e votar nulo... as pesquisas, inclusive, juntam as informações e parece até que são a mesma coisa.
E não vou ser eu a julgar as pessoas que têm lá os seus motivos para votar em determinadas pessoas.
Já é irritante o suficiente os e-mails anti-petistas que aparecem em minha caixa.
Bom, dessa forma, decidi que, mais uma vez, vou votar nulo!
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Entre aspas
Tendo em vista que não vale muito a pena esforçar-se por determinadas coisas, prefiro pensar que hoje, tanto faz escrever um texto “bom” ou “ruim”, que satisfaça “meus” anseios, ou esperanças , ou que expresse o “poético”, o “real”, ou a “mentira”. O que “me” incomoda é essa dor de garganta que “me” deixa febril e mau-humorado, o que importa é que “estou” cansado, pois a noite foi longa, e este corpo que escreve essas linhas tem preguiça. Desculpem o excesso de aspas, mas hoje tudo merece ser relativizado, exceto a dor de garganta.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
23 primaveras!
Essa é mais angustiante realidade em se fazer aniversário!!!
O corpo se degrada mais um pouco e ficamos felizes por nos sentirmos um pouco mais “experientes”. E tudo isso para quê? Para sustentar os vícios de sempre!
Nada mudou, na verdade... esses dias peguei um caderno de quando era adolescente e expressava minhas mais angustiantes mágoas. Interessantemente, se eu escrevesse hoje, com um pouco mais de vocabulário e menos gírias , escreveria a mesma coisa... mesmo depois de tantos anos, tantas experiências, tantas sessões de terapia: a mesma coisa.
Então tento criar um significado para essa ponte e a vida se tona angustiante da mesma maneira, pois crio sonhos tão absurdos e distantes que nunca vivo o real.
Por outro lado, quando eu era criança, minha família sempre fez festinhas de aniversário que eu adorava mais que o natal! Era mesmo o meu dia e eu adorava que todos se reunissem para cortar um bolinho para mim! Era banal, mas fenomenal! Ainda adoro fazer aniversário, mas infelizmente a “experiência” estragou mais alguma coisa...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Ditadura, Democracia e Futebol
Demorei muito para começar a escrever algo essa semana, tinha a intenção de continuar na linha dos textos eróticos, porém, outras coisas me mobilizaram nestes dias, uma delas foi o texto do Paulo sobre Ditadura e Democracia, outra foi o centenário do meu time de futebol, o Corinthians. Entre os grandes clubes do Brasil, este sem dúvida esta entre os que tem maior adesão popular, alguns dizem ser a segunda maior torcida do país, e a primeira do estado de São Paulo, mas essa discussão sobre o tamanho de cada grupo não é o que quero priorizar neste texto, o que me chama atenção é o quão abstrata se tornou a relação do torcedor com seu clube, cada um destes grandes carrega consigo uma enorme quantidade de fiéis, e não seria exagero dizer que cada grupo desses é uma nação, que cada campeonato é uma guerra e que cada jogo é uma batalha. O quadro é semelhante ao da primeira guerra mundial, onde os Estados europeus remoíam rancores territoriais a respeito da partilha de territórios roubados e saqueados na Ásia e na África no século XIX. Um completo esquecimento em relação aos seres humanos, explorados e saqueados destes continentes, foi responsável pela morte de milhões de homens e mulheres, inclusive nos países exploradores. Em nome de um sentimento nacional os jovens seguiam para as trincheiras e atiravam contra outros jovens, conviviam em extrema miséria e voltavam mudos pra suas casas, sem nada a transmitir, senão a experiência do trauma.
Ontem no vale do Anhangabaú, aproximadamente 100 000 pessoas participaram da comemoração do centenário corinthiano, teve música, discursos inflamados e contagem regressiva no “show da virada”. O “time do povo” anunciou com grande orgulho a construção de um estádio voluptuoso, para 70 mil pessoas, que provavelmente será palco da abertura da Copa de 2014, tal empreitada custará aproximadamente 450 milhões de reais. O estádio parece ser o símbolo emancipatório desta nação errante, a Jerusalém alvinegra! Este parece ser o sentimento explorado pelos líderes e pelas empresas que se beneficiarão da obra, ou seja, esta é a parte abstrata da história, mas faz-se necessário frisar que o clube comercializará os camarotes do estádio por preços inacessíveis à 99% dos corinthianos, e que esse dinheiro usado para construção do estádio é suficiente para construir 25 000 casas POPulares. A relação do torcedor com seu time parece então ter raízes muito mais profundas do que uma simples diversão de final de semana, pois caso contrário, como não enxergar o óbvio? As emoções mobilizadas em uma final de campeonato, por exemplo, já vitimaram milhares de pessoas nas chamadas “batalhas campais”, nestes dias existem limites, fronteiras que devem ser respeitadas, para a segurança pessoal de quem vai a um estádio de futebol. Diante dessa incapacidade de ver faz-se necessário uma troca de termos, ao invés de “povo”, a palavra “massa” parece mais apropriada, pois esta é composta de partículas homogêneas e manipuláveis. Nessa realidade histórica do futebol de massa podemos ver ressurgir as figuras do herói nacional e do líder populista, no site do jornal “Lance” Andrés Sanches é ovacionado como alguém que fez “uma revolução em três anos”, Ronaldo ainda é esperado para o final do campeonato brasileiro desse ano, e dadas as suas atuais condições físicas, tal expectativa me remete à tão sonhada volta de Dom Sebastião ao trono de Portugal. A mistificação em torno de tudo isso tem sido muito bem aproveitada pelos donos da bufunfa, o véu que encobre a mentira de cada ato pronunciado, de cada construção megalomaníaca, inevitavelmente faz com que nos esqueçamos da miséria cotidiana em que vivemos, aliás, esse véu nos cega de fato, pois nestes tempos as idéias acerca do mundo valem muito mais do que o próprio mundo à nossa frente.


