sexta-feira, 27 de abril de 2012

A fenda foi criada no Agora, um tempo esse que nos coloca entre o passado e o futuro. Com esse blog tendo sido iniciado em meados de 2000 e 10 venho agora deixar meu aparecer.Sem se ofender pelo meu entardecer espero que você a todo momento possa na vida tecer uma emenda com o que já passou, livre da pressão de que seja igual como foi, pois, mesmo os eventos que se repetem são diferentes em alguma coisa e só a vontade de torná-los iguais tiram o brilho da vivacidade que nasce a cada instante, provocando a mesma roda da repetição até que se aceite seguir o ciclo naturalmente passando por caminhos iguais sendo diferentes, passando por caminhos diferentes com a mesma essência. Até mesmo os mesmos ventos mudam de direção.

Emenda sua fenda, faça ao presente uma oferenda, acrescente, crie, transforme e acima de tudo aceite-se como é, sem que pra isso você se prenda no conformismo cínico de nunca mudar. Apenas seja, o resto acontece naturalmente...E ser é a questão que quando se torna questão, em vez de apenas sentirmos que somos, nos distancia da fenda: ora olhamos pro passado como se ainda estivéssemos nele, ora apenas esperamos chegar o futuro como ignoradores indiferentes do agora presente. Somos o passado e também o fruto futuro, assim como somos agora.Infeliz-mente Esfacelamos nossa essência com a ausência do ser que somos na atemporalidade eterna que se desdobra sempre a partir do agora, resgatando toda a nossa ancestralidade e vislumbrando um futuro a ser criado, realizado e transformado.Mas, estamos aprendendo, faz parte do processo.

Agora, utilizando a primeira pessoa, admito que me enganei com as redes sociais em que eu mesma me pesquei, tão cheia de ilusões. Fui presa fácil da própria armadilha que me encantou pela possibilidade de eu encontrar um meio de me comunicar melhor com as pessoas, me aproximar mais. Vícios e virtudes. Claro, os aplicativos são oferendas da modernidade tecnológica cheia de avanços, assumo minha responsabilidade de as vezes me afobar nas relações e ter utilizado tais redes como tentativa de aproximações, fiz o próprio caos....afastando quem queria por perto, criando uma impressão de proximidade com quem era indiferente.Fugindo de mim. Querendo que o outro me encontrasse,tolinha.

E agora ando mais contente que descontente por ter me libertado de uma ilusão que eu mesma aderi,o excesso acentuado em algo que é apenas uma faceta. Apesar de ter tido a curiosidade de querer fazer parte da rodarede e ter provado o gosto do possível para depois comprovar novamente o sabor mais natural e vivo do simples contato, sinto e sempre senti que faz muito mais sentido passear com os cachorros da rua, sentir os pássaros cantar, ouvir e se envolver com o som do mar, de uma jam, um luau ou um disco solo rolando na vitrola, papear e cantarolar com um músico de rua apreciando sua arte no agora em tempo real, conversar melhor com os vizinhos quando acontece abertura e espontaneidade, rever as pessoas que realmente quero por acaso, telefonema, carta, e-mail até, por combinação ou melhor, por pura sincronia...principalmente pela certeza de que os pensamentos e sentimentos sempre nos aproximam e nos afastam daquilo que queremos e criamos, conscientemente ou não, mais rápido que qualquer avanço tecnológico desprovido da maior razão que é até explicada racional e cientificamente mas ultrapassa esses limites por ser da mente infinita....a mente gera redes....e o amor provoca encontros, desencontros e reencontros que qualquer aplicativo moderno tornas-se obsoleto, mero entretenimento e distração para o que está sempre aqui dentro da gente e sendo o tempo todo mostrado externamente torne-se com o tempo mais puro, uma possível livre escolha de sentir...

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