quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais um texto sem título

Durante a faculdade de psicologia aprendi que ser humano, nos moldes da humanidade do meu tempo, não é nada fácil. Mas não foi o curso de psicologia que me ensinou isso. Por certo algumas leituras ajudaram a pensar essas questões, e mais certo ainda é que determinadas pessoas foram importantíssimas nessa tomada de consciência. Durante a vida já me enganei várias vezes, pensei que o trabalho poderia me trazer satisfação pessoal, pensei que a religião poderia aliviar minhas angústias, pensei que algumas pessoas poderiam ser para sempre o que já foram um dia, pensei que a faculdade me levaria mais longe. Tudo ilusão. Tudo poeira. O tempo desgasta cada rocha de ilusão e esperança onde me agarro. No mundo do homem, não há lugar para o humano. A gente tem que se mexer. Eu tenho que me mexer, essa é a verdade, não faz sentido escrever sobre a humanidade no geral, pois não sinto as dores da humanidade, sinto as minhas dores do contato com ela. Tenho a boa consciência de que assim como foi, deveria ter sido, essa consciência faltou nos momentos a que me refiro, essa consciência disponível e clara sobre a não eternidade dos solos onde pisei, sobre o constante terremoto que é a vida sobre a Terra. Hoje me sinto como o Frajola pendurado no alto de um prédio enquanto o piu piu vai retirando um dedo de cada vez “Esse dedinho foi pra igreja, esse dedinho foi namorar, esse dedinho foi trabalhar... e o último dedinho terminou a faculdade! Xi, acabaram os dedinhos!!!” .

6 comentários:

  1. Meu querido amigo junguiano!

    Vivemos de ilusões! E, às vezes temos a ilusão de que sabemos de tudo ou conhecemos tudo, aí vem você com este texto e me faz deparar com a minha angústia de que tudo é ilusão...
    Mas o que seria da minha vida sem ilusões? Será que dá para existir sem elas? Nesse modelo de humanidade que temos?
    Aliás, parabéns pela reflexão: "No mundo do homem, não há lugar para o humano".
    "...não faz sentido escrever sobre a humanidade no geral, pois não sinto as dores da humanidade, sinto as minhas dores do contato com ela".
    Não tem como sentirmos 'as dores do mundo'.

    Um grande abraço,
    Cat.

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  2. Caríssima Cat,

    Sua (nossa) vida sem ilusões deve ser o próprio encontro com o espelho que o Paulo escreveu, e quanto à segunda pergunta "dá pra existir sem elas?" parece que aí sim vai sobrar espaço pra uma existência plena, pois (baixou o Ednilton), as ilusões que acreditamos são fruto de uma de educação recheada produtos da indústria cultural, saca, aquele lance do enfraquecimento do pai, a entrada da mídia em casa, etc, quase todos os projetos de vida incluem o trabalho como caminho para uma vida futura mais confortável, e a grande maioria morre antes de chegar nesse futuro, enfarto, hipertensão, overdose, acidente, peste bubônica, hepatite, Aids, sífilis, malária, amor, ódio, portanto nada garante que você vai chegar lá pelo caminho (ilusão) que escolheu. CAt, uma hora os dedinhos acabam!!!

    Um beijo

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  3. Veja bem,
    Se você fosse um pouco mais "otimista" (para não usar nenhum palavrão), você lembraria que gato tem sete vidas! Olha o lado bom!!!! haha

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  4. "Tchau gatinho"

    Lucas,

    Gostei. A humanidade não têm nada a ver com o homem. Em geral, quem ama a humanidade (sustentabilidade ambiental, sexo seguro, saúde total, e causas sociais) não ama o homem.

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  5. Sem nenhuma opinião intelectual: Relaxa baby, a felicidade é mais simples que imaginamos!
    Beijo!

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  6. na boa...pega uma breja beeem gelada, toma aqueeele gole e meu, e faça o seu papel neste mundo...continue escrevendo seus textos eroticamente loucos...kkkkkkkkk....bjoss primo!!!!...meu, vocês viaaajam!!!...e todo mundo precisa sim de ilusões e certas ambições na vida!

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