quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais um texto sem título

Durante a faculdade de psicologia aprendi que ser humano, nos moldes da humanidade do meu tempo, não é nada fácil. Mas não foi o curso de psicologia que me ensinou isso. Por certo algumas leituras ajudaram a pensar essas questões, e mais certo ainda é que determinadas pessoas foram importantíssimas nessa tomada de consciência. Durante a vida já me enganei várias vezes, pensei que o trabalho poderia me trazer satisfação pessoal, pensei que a religião poderia aliviar minhas angústias, pensei que algumas pessoas poderiam ser para sempre o que já foram um dia, pensei que a faculdade me levaria mais longe. Tudo ilusão. Tudo poeira. O tempo desgasta cada rocha de ilusão e esperança onde me agarro. No mundo do homem, não há lugar para o humano. A gente tem que se mexer. Eu tenho que me mexer, essa é a verdade, não faz sentido escrever sobre a humanidade no geral, pois não sinto as dores da humanidade, sinto as minhas dores do contato com ela. Tenho a boa consciência de que assim como foi, deveria ter sido, essa consciência faltou nos momentos a que me refiro, essa consciência disponível e clara sobre a não eternidade dos solos onde pisei, sobre o constante terremoto que é a vida sobre a Terra. Hoje me sinto como o Frajola pendurado no alto de um prédio enquanto o piu piu vai retirando um dedo de cada vez “Esse dedinho foi pra igreja, esse dedinho foi namorar, esse dedinho foi trabalhar... e o último dedinho terminou a faculdade! Xi, acabaram os dedinhos!!!” .

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Escolhendo um candidato...

"Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo" Eça de Queiroz.

Hoje comecei a pensar mais seriamente em que votaria. Eu levo votação muito a sério ((sem ironias!)) e obviamente, o horário eleitoral só serve para rirmos de como a política é algo extremamente banalizado no Brasil ((como tudo que deveria ser sério nesse país)).
Como nunca tive afinidade por nenhum partido propriamente dito, comecei por elimatórias.

Os candidatos que eu for votar não podem ter se envolvido em escandalos de corrupções. Diferentemente da grande maioria, eu não voto nos "menos ruins" ou nos "rouba, mas faz".
Eu não voto em políticos que tiveram a ótima oportunidade de já serem eleitos e, quando foram, aprovaram leis absurdas, revoltantes, que de longe não representa o desejo da maioria! Os que votaram pelo Ato Médico, só por exemplo... tem muitas outras leis que me indignam.
É claro que eu não votaria em pessoas que tem promessas que são visivelmente impossíveis de se cumprir em 4 anos... é duvidar demais da minha inteligência. Ou pior que isso, como a querida candidata a presidência do PV que tem como proposta um site em que teria os dados de todos os pedófilos cadastrados para que soubéssemos onde moram, dessa forma, proteger nossas crianças... em outras palavras, pessoas que fazem suas campanhas em questões preconceituosas, contra os direitos humanos e anticonstitucionais!
Isso é o Brasil! Aqui tudo pode, não importam as leis que garantam nossos direitos!

Acho que o que mais me revolta é o que realmente acontece... talvez o tiririca ganhe, a mulher pêra, o maguila, a outra que tem o número 69... claro que eles têm o direito de se candidatar, como diz a lei, todos podem se envolver na política e o devem fazer, algo asssim... e não digo que eles não tem nada para contribuir, mas eles mesmos se banalizam!
E as pessoas votam! Votam porque não têm o menor interesse em se preocupar com o que vão decidir por eles. E depois reclamam que ninguém faz nada. É claro que não é o tipo de representação que eu gostaria de ter, não é nem o sistema que eu gostaria de viver, mas já que é, por hora, deveríamos, no mínimo nos preocupar com isso.
As pessoas, em sua maioria, não sabem nem a diferença entre votar branco e votar nulo... as pesquisas, inclusive, juntam as informações e parece até que são a mesma coisa.
E não vou ser eu a julgar as pessoas que têm lá os seus motivos para votar em determinadas pessoas.
Já é irritante o suficiente os e-mails anti-petistas que aparecem em minha caixa.

Bom, dessa forma, decidi que, mais uma vez, vou votar nulo!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Entre aspas

Tendo em vista que não vale muito a pena esforçar-se por determinadas coisas, prefiro pensar que hoje, tanto faz escrever um texto “bom” ou “ruim”, que satisfaça “meus” anseios, ou esperanças , ou que expresse o “poético”, o “real”, ou a “mentira”. O que “me” incomoda é essa dor de garganta que “me” deixa febril e mau-humorado, o que importa é que “estou” cansado, pois a noite foi longa, e este corpo que escreve essas linhas tem preguiça. Desculpem o excesso de aspas, mas hoje tudo merece ser relativizado, exceto a dor de garganta.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

23 primaveras!

A vida é uma ponte entre dois abismos, disse Nietzsche.
Essa é mais angustiante realidade em se fazer aniversário!!!
O corpo se degrada mais um pouco e ficamos felizes por nos sentirmos um pouco mais “experientes”. E tudo isso para quê? Para sustentar os vícios de sempre!
Nada mudou, na verdade... esses dias peguei um caderno de quando era adolescente e expressava minhas mais angustiantes mágoas. Interessantemente, se eu escrevesse hoje, com um pouco mais de vocabulário e menos gírias , escreveria a mesma coisa... mesmo depois de tantos anos, tantas experiências, tantas sessões de terapia: a mesma coisa.
Então tento criar um significado para essa ponte e a vida se tona angustiante da mesma maneira, pois crio sonhos tão absurdos e distantes que nunca vivo o real.
Por outro lado, quando eu era criança, minha família sempre fez festinhas de aniversário que eu adorava mais que o natal! Era mesmo o meu dia e eu adorava que todos se reunissem para cortar um bolinho para mim! Era banal, mas fenomenal! Ainda adoro fazer aniversário, mas infelizmente a “experiência” estragou mais alguma coisa...
“Feliz desaniversário para mim”.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ditadura, Democracia e Futebol

Demorei muito para começar a escrever algo essa semana, tinha a intenção de continuar na linha dos textos eróticos, porém, outras coisas me mobilizaram nestes dias, uma delas foi o texto do Paulo sobre Ditadura e Democracia, outra foi o centenário do meu time de futebol, o Corinthians. Entre os grandes clubes do Brasil, este sem dúvida esta entre os que tem maior adesão popular, alguns dizem ser a segunda maior torcida do país, e a primeira do estado de São Paulo, mas essa discussão sobre o tamanho de cada grupo não é o que quero priorizar neste texto, o que me chama atenção é o quão abstrata se tornou a relação do torcedor com seu clube, cada um destes grandes carrega consigo uma enorme quantidade de fiéis, e não seria exagero dizer que cada grupo desses é uma nação, que cada campeonato é uma guerra e que cada jogo é uma batalha. O quadro é semelhante ao da primeira guerra mundial, onde os Estados europeus remoíam rancores territoriais a respeito da partilha de territórios roubados e saqueados na Ásia e na África no século XIX. Um completo esquecimento em relação aos seres humanos, explorados e saqueados destes continentes, foi responsável pela morte de milhões de homens e mulheres, inclusive nos países exploradores. Em nome de um sentimento nacional os jovens seguiam para as trincheiras e atiravam contra outros jovens, conviviam em extrema miséria e voltavam mudos pra suas casas, sem nada a transmitir, senão a experiência do trauma.

Ontem no vale do Anhangabaú, aproximadamente 100 000 pessoas participaram da comemoração do centenário corinthiano, teve música, discursos inflamados e contagem regressiva no “show da virada”. O “time do povo” anunciou com grande orgulho a construção de um estádio voluptuoso, para 70 mil pessoas, que provavelmente será palco da abertura da Copa de 2014, tal empreitada custará aproximadamente 450 milhões de reais. O estádio parece ser o símbolo emancipatório desta nação errante, a Jerusalém alvinegra! Este parece ser o sentimento explorado pelos líderes e pelas empresas que se beneficiarão da obra, ou seja, esta é a parte abstrata da história, mas faz-se necessário frisar que o clube comercializará os camarotes do estádio por preços inacessíveis à 99% dos corinthianos, e que esse dinheiro usado para construção do estádio é suficiente para construir 25 000 casas POPulares. A relação do torcedor com seu time parece então ter raízes muito mais profundas do que uma simples diversão de final de semana, pois caso contrário, como não enxergar o óbvio? As emoções mobilizadas em uma final de campeonato, por exemplo, já vitimaram milhares de pessoas nas chamadas “batalhas campais”, nestes dias existem limites, fronteiras que devem ser respeitadas, para a segurança pessoal de quem vai a um estádio de futebol. Diante dessa incapacidade de ver faz-se necessário uma troca de termos, ao invés de “povo”, a palavra “massa” parece mais apropriada, pois esta é composta de partículas homogêneas e manipuláveis. Nessa realidade histórica do futebol de massa podemos ver ressurgir as figuras do herói nacional e do líder populista, no site do jornal “Lance” Andrés Sanches é ovacionado como alguém que fez “uma revolução em três anos”, Ronaldo ainda é esperado para o final do campeonato brasileiro desse ano, e dadas as suas atuais condições físicas, tal expectativa me remete à tão sonhada volta de Dom Sebastião ao trono de Portugal. A mistificação em torno de tudo isso tem sido muito bem aproveitada pelos donos da bufunfa, o véu que encobre a mentira de cada ato pronunciado, de cada construção megalomaníaca, inevitavelmente faz com que nos esqueçamos da miséria cotidiana em que vivemos, aliás, esse véu nos cega de fato, pois nestes tempos as idéias acerca do mundo valem muito mais do que o próprio mundo à nossa frente.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um "post"

Ao pensar em um espaço para colocar algumas opiniões, pensei primeiramente na relevância das coisas que poderíamos expressar. É estranho essa ideia de sempre fazer coisas “úteis”, porque é algo que somos questionados o tempo todo em tudo que fazemos e perdemos a oportunidade de simplesmente fazermos o que queremos fazer. Afinal “cultura inútil” é a que nos é imposta.
Então comecei a refletir sobre o que eu gostaria de escrever. Normalmente sinto que o que eu falo é óbvio e até repetitivo, que todos devem compartilhar da mesma ideia, então por quê perder meu tempo falando o que todo mundo, no fundo, já sabe? Isso sem contar as pessoas que olham tudo por olhos sarcásticos e não se beneficiariam nem se compartilhassem de fato da mesma opinião que eu.
Enfim...
Acabo de ganhar um processo por danos morais de uma multinacional e fiquei pensando como as pessoas não se apropriam de seus direitos. Claro que não foi nenhum processo multi milhionário, mas a ideia de que o sistema é falho já dominou tão fundo o imaginário das pessoas que só o fato de ser burocrático (e nem é tanto) já as desanimam. Não nos preocupamos em apenas fazer nossas reinvindicações da forma correta e usamos diversas questões como subterfúgio. O que me parece é que apenas pensamos em resolver do jeito “mais rápido”, propagando maiores danos a outras pessoas. Reclamam, gritam, agridem, isso é evidente, reproduzem por vingança. Quantas vezes escutei que processos por danos morais são muito difíceis de serem provados procedentes (inclusive de advogados), mas não é o que vejo. E não penso que sou excessão a regra, mas simplesmente não tenho muitos casos para comparar.
Escuto que as leis estão muito além do que é possível na realidade, que são verdadeiras utopias, ora, deve-se adequar as leis ao que é real ou tentar adequar o real ao que realmente imaginamos como o ideal de uma sociedade?
Reinvindicar um direito assegura, inclusive, que isso não ocorra com a mesma facilidade novamente. Talvez a justiça ainda não seja tão acessível, mas buscá-la sempre que necessário é imprecindível para que tenhamos uma sociedade menos cruel.
Posso parecer romântica e bastante otimista ao pensar dessa maneira... e sou!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Com os primeiros sinais da luz do dia se levantou, fechou a cortina, preparou um café, abocanhou algumas bolachas e sentou-se na frente do Laptop, essa seqüência de gestos o acompanhava já há alguns anos diariamente, achava que as manhãs ensolaradas poderiam ser o último suspiro daquele texto inacabado, daquela idéia ainda gestante, depois de acender um cigarro passou alguns minutos observando a companheira nua, iluminada por indiscretos raios que ousavam atravessar as cortinas. Se lembrou dos movimentos noturnos, da dança insana, que teve como palco os cômodos do pequeno apartamento. A talentosa amiga de longas pernas oscilava entre o amor romântico de uma noite de núpcias e o iminente ímpeto de estrangular o companheiro entre as coxas quentes. “E como eram quentes”, pensou enquanto degustava o café que acabava de fazer, era um irresistível caminho de brasas que guardava no final uma rosa molhada de chuva, pronta a se abrir acolhedora ao supliciado. Começou. Como se o teclado fosse seu pênis vestia de palavras suas impressões matinais, pontuava as respirações mais intensas com exclamações, descrevia com excesso de vírgulas o processo do desnudamento, o percurso das bocas pelos labirintos do corpo, deixou-se conduzir ao estranho e infinito mundo das onomatopéias, por vezes sentia que a grande exclamação estava perto, então usava três pontos...e recomeçavam as mordidas, as vírgulas, as carícias, as interjeições, os imperativos, o rodamoinho dos seios, o caminho das brasas, a rosa. E no tecido do texto a cena se compunha, não exatamente como tinha ocorrido, mas com novas idéias que surgiam a cada vez que olhava a companheira deitada, nas diversas posições em que esteve durante esse tempo, nos diferentes modos que apreendeu os contornos daquele corpo amigo. Parou por um tempo de escrever, pensava em como terminar o texto, fixou-se distraidamente na panturrilha fugitiva do lençol, exposta aos raios que a essa hora já invadiam com toda força o quarto pelas frestas da cortina, a moça abriu um dos olhos com preguiça, viu o amante com uma mão no pau e outra na “pena”, amável, adivinhou e sorriu da bizarrice, estendeu a perna descoberta até o botão que ligava o som e ficou feliz com a canção que surgiu “Let's get lost, lost in each other's arms...” depois fechou os olhos enquanto a voz e o trompete de Chet Baker inundavam o quarto com mais força do que os indesejáveis raios solares.